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・悪い・

June 18th, 2008

07:27 pm - as flores de plástico não morrem.

niaho

O frio. O teu toque quente serve-me de calmante, agora que estou tão assustada. Eu estou com medo mas ao menos com você ao meu lado eu posso suportar. Ontem vi teu retrato no meu sonho e você me estendeu sua mão. Odeio depender de ti, mas, cada vez que penso nisso, tua casa com a estação ao fundo revive, e o tremor e o barulho insuportáveis da passagem dos trens voltam à vida. Nós éramos pequenos e tolos, e as pessoas usavam chapéus. As moças de vestido florido e chapéu delicado; os homens de terno e gravata e chapéu escuro. A saia delas levantava com a ventania do trem que chegava e elas fingiam – muito mal, por sinal – que isso não deveria acontecer. Fato é que a roseira que abraçava a estação era a vendedora que mais lucrava por ali enquanto os gajos roubavam flores. Eles entregavam rosas perfeitas a elas e nós dois ficávamos espiando por trás das paredes. Então você pegava uma rosa e me estendia a mão e eu suspirava.

Nós éramos a cópia perfeita do romantismo deles. Eles eram cópias de si mesmo, mas nós éramos uma experiência. Nós éramos diferentes, não éramos?

Então crescemos e fizemos o mesmo. Dez anos depois e aquela estação está em ruínas, com a completa ausência do ser humano. A vendedora, porém, até hoje por lá insiste. Soa quase insano, mas você, ainda que adulto, agiu como uma criança, pegou uma daquelas rosas e ajoelhou-se, e eu, pela primeira vez, pude ser igual àquelas ninfetas. Impressiona-me que a ventania persiste idêntica a dos trens que por ali passaram, com o tempo calculado e com a mesma intensidade. Eu olho para trás e posso ver tudo, assim como você.

Nessa estação vazia e esquecida, os espíritos não mentem. Mesmo que esteja apagado, aquele momento existiu e ficou marcado no tempo – está lá, como você pode ver. É só se esforçar.

Então nós dois perdidos estamos aqui nesse frio, e o seu toque me aquece. Só nós sabemos onde estamos.

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