[three-times-in-once]
Não pensa em mim, assim, como me vê
Sou pena rígida, acredita?
porque do lado de fora pareço
essa mistura de quem fui e quem serei,
porém por dentro só resta o que eu sou.
E este pouco que resta leva para todos
Essência de quem não conhecem.
Talvez incomode uns e outros
e, quem sabe, seja a inspiração para alguns, mas
menina!, sabia que andei pensando em você?
Não escolho em quem penso, quando
vou “ver” já está aqui, rodopiando o meu andar.
Acredita?!, eu cada vez mais próximo do meu sonho,
sem saber alcançar o teu.
E disseram-me pra deixar pra ti o que é o teu caminho,
o teu andar,
mas como eu poderia imaginar que a garota que eu criei
já existia? Eu só descobri quando pude te conhecer.
Por isso que acho tanto que sonho teu é meu.
Acredita?
Tudo isso uma obra de arte
tirada de Não Sei Onde
que costumo freqüentar,
essência de quem fui. Essência de quem serei.
Criação de quem sou. Pode acreditar.
---x---
não tenho mais forças!
se como açúcar, dizem-me o sal
se como o sal, era a vez do açúcar
e tomo café e tomo água e
tudo isso está errado
se vou a cinema, recomendam-me o anfiteatro
se vou ao anfiteatro, era época de trancar-me em casa
e dou uma volta e me vejo sozinho
e todo o resto está errado
eu não agüento mais!
se quero me divertir, é hora de trabalhar
se necessito trabalhar, as fábricas estão a falir
e quero colo e quero descanso
e quero sossego mas não quero paz
ai pelo amor que tu me tens
me tire deste mundo louco
e me faz favor
de endireitar essas pessoas!
todas elas estão perdidas!
é tanta gente sabendo o que fazer
que ninguém mais desvenda para onde ir
enquanto isso
vou-me arrumando
para o chá das seis
e com licença que
recomendaram-me
uma outra explicação.
---x---
“Vai descansar, tira os olhos daí e dorme cedo”, disse-me, “tu és forte mas tudo que é forçado demais quebra”. “É”, concordei. “Então tiro os pés daqui e vou pra cama, que é minha e que descanso”, “Sim, isso”. Mas quem me disse, tu, não sabe que a boa hora para mim é estar contigo, que eu cansaria o máximo e refazia para te ver. “Então descansa, descansa”, disse-me, “Descansar de quê”, indaguei, “Não sei, teus problemas, sai desse computador e não volta até o amanhecer”, “Faço minha parte, eu tento”, esquivei-me. “Tentar não é sempre o suficiente”, disseste tão insistentemente. “Não, então me diz o que é”, “É tudo suficiente”, “Explique-me agora, deixe claro os parágrafos que não entendi”. “Assim, tudo é suficiente, não entende”, “Não, repito, digas-me o que significa”. “Tu és suficiente, o bastante não é além de você para mim”, “Bonitas palavras não me salvam”, “Não desejarias me amar”, perguntou-me e virou-se contra mim. “Pretendo, mas agora já nem sei se me salva”, “Salvar de quê”, e voltou-se para mim. “Te perguntei e não me respondeu, e disseste-me para descansar”. Mas não terminei. Aquele parágrafo ficou contigo nas imarcescíveis desculpas de nós dois. Um beijo. Teu e meu e só.